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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

COLUNA: A 'Bandeira do Respeito' foi rasgada por alguns seguidores da Timbalada

Foto: Reprodução 

Um episódio envolvendo a cantora Millane Hora marcou o inicio da semana e agitou as redes sociais. A alagoana e nova vocalista  do grupo Timbalada, foi vaiada em sua estreia e opiniões  se propagaram na rede . Trago como questão a forma de como o ser humano age e reage quando algo não acontece da maneira que lhe convém . Não coloco em cheque a raça e nem tampouco as raízes de determinadao povo . O que precisa ser evidenciado é de como o ser humano pra defender aquilo que ele julgar 'ser seu', se veste de um desrespeito tão descarado e ainda usa como argumento; "Estava defendendo a minha raiz". 

Muitos (ou não) sabem que a Timbalada é um conjunto de timbales, instrumentos de origem afro e que a banda surgiu no início dos anos 90. No grupo, músicos com corpos pintados, com aspirais e tribais remetiam a história  e cultura de um povo. " Aqui na Bahia ser timbaleiro é uma religião", bradou um seguidor tentando justificar sua opinião contra a entrada da cantora Millane Hora na banda. Mas, toda religião e seguidores de bom senso , sabem que o respeito é crucial quando se defende algo. Questiono: Onde foi parar o respeito daquelas pessoas que vaiaram, propagaram comentários maldosos e de extremo mal gosto nas redes sociais?. Onde foi parar o respeito por uma artista que não teve culpa alguma de estar naquele palco?. Onde foi parar o respeito por uma artista que saiu de sua terra em busca de um sonho?. Se há um culpado, não é Millane Hora.  As vaias (poucas) soaram bem mais vergonhosas pra uma raça que sempre amargou a  exclusão, o preconceito, do que pra cantora em questão. Não se usa da arrogância para levantar uma bandeira e exigir a continuidade de uma história, seja ela qual for.

Outro ponto que merece ser analisado é  o fato de as pessoas ja irem armadas e prontas pra usar das vaias como artifício de 'protesto'. 'Millane desafinou, não rolou química' disse um seguidor. Porém, o que vimos foi um seleto grupo de pessoas  com sua artilharia do mais baixo nivel humilhar nas redes sociais, uma artista que desde o primeiro momento se mostrou estar de coração aberto para receber as críticas . Falo críticas , pois o que tenho visto desde o anúncio de sua entrada , são xingamentos e desnecessarios. Neste caso, as vaias não serviram  e nem servem como grito de protesto,  a maioria daquelas pessoas já foram intencionadas e com um pré-julgamento formado desde a confirmação do nome Millane Hora.
Por mais que tentem rabiscar como 'apropriação cultural' e afins, dando uma vasculhada nas redes sociais , os comentários têm como base: "Tanta cantora negra na Bahia". Serei um pouco radical mas afirmo com toda sabedoria que me cabe: "Aqueles que em sua história mais sofreram preconceito, são os que mais se vitimizam, na maioria das vezes sem necessidade". Há pessoas e pessoas ? Sim. 
Não tenho dúvidas de que no estado da Bahia existem mulheres negras talentosíssimas, que poderiam ocupar a vaga de cantora da Timbalada.
Mas, essa responsabilidade de escolha não pertence a pessoa que foi escolhida.
O que me surpreende: Se um branco não aprova  qualquer vertente da cultura afro, ele é racista, preconceituoso (faz parte dos antepassados). Se um branco chega pra dá voz a um movimento, ele não cabe, ele não  pertence  aquele mundo, ele está se apropriando. Difícil digerir essas divergências, quando a miscigenação de nosso país,  deveria ser atualmente o principal combustor para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. 


No mais, não  se levanta uma bandeira rasgando outra. Aquela que foi rasgada, neste caso,  tinha como brasão  'O RESPEITO'.  

POP Brasil
David Dukki