COLUNA: Divas e o público LGBT - Um casamento que é julgado por rótulos - Pop Brasil

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terça-feira, 25 de outubro de 2016

COLUNA: Divas e o público LGBT - Um casamento que é julgado por rótulos

Foto: Reprodução


Nos últimos anos, a indústria fonográfica e o show business tem reconhecido a comunidade gay como clientes fiéis e excelentes consumidores dos grandes espetáculos proporcionados pelas grandes cantoras. Por esse motivo, resolvi dar uma colorida na coluna desta semana e trazer um retrato de como a cultura de música pop e as divas têm sido um verdadeiro  apoio e grito de liberdade para os LGBTs.  A junção de ambos  ganhou um retrato tão fiel que o público em geral se fecha e acaba disparando frases vergonhosas do tipo  “isso é coisa de gay”. E o motivo? São vários. Se o vizinho ouve Joelma e Wanessa, dança ao som de Anitta e vibra com cada aparição de Claudia Leitte, os comentários possuem sempre a mesma conotação: "Coisa de Gay'.

A sociedade vestiu uma  falsa ideologia de que só os gays é quem curtem esse tipo de som, esse tipo de artista... Algo raro de acontecer com gêneros que retratam  para quem pensa dessa forma, uma tal 'masculinidade' , exemplo: Rock. Não é novidade alguma que é o público LGBT quem movimenta em grande proporção os maiores eventos ligados aos artistas que compõem o universo em questão. Mas, a gente  enquanto 'ser pensante' , precisa parar com esse tipo de rótulo ou falso achismo de que falar a palavra 'Diva' diminui a testosterona.

Mas, o que faz com que a sociedade tenha esse tipo de pensamento?
É sabido que tudo aquilo que envolve o mercado pop, possui uma alegria fora do comum. Tudo é fora do comum!. As cores ganham vida, os figurinos e shows ganham mais investimentos, o glamour e a necessidade de atrair a atenção do público com toda megalomania imposta e vivida pelas grandes divas, é surreal. E toda essa 'surrealidade' interfere no comportamento e pensamento dos mais moderados e caretas. É justamente esse apoio e essa liberdade em viver e acolher todo esse glamour que as divas encontram na comunidade gay - um casamento perfeito. Não deixa de ser uma espécie de acordo de fidelidade:  'Eu dou a liberdade e a carta de alforria que eles precisam com o meu espetáculo. E eles acolhem e dão sentido a cada cor, cada cena levada para o palco ' .

No geral, é um público que enxerga a palavra 'Diva' em todos os gêneros musicais, do samba ao axé, do pop ao funk, do sertanejo ao rock . Normalmente, eles fogem dos rótulos  e nem fazem questão de esconder as suas alegrias , o outro  é quem o julga por falar palavra X ou Y, por dançar tal hit do momento, por rebolar demais e afins.  No mais, é um casamento que ainda se alimenta dos tais rótulos, principalmente por ter em sua aliança o desapego da caretice e por uma parcela da sociedade ainda achar submisso e vergonhoso um homem chorar e gritar por uma cantora na fila de um show. O mesmo tratamento não ocorre, quando uma menina é o personagem da história - ninguém dispara o termo 'lésbica' por tal ato. Mas, quando se trata do rapaz - sim. Ele é o 'viado', o 'bicha' da história. É errado? Sim. Mas é apenas um reflexo de uma sociedade machista e que ainda enxerga o homem desenhado de geração pra geração como o dono da razão e de postura rude. 

POP Brasil
David Dukki