COLUNA: A música brasileira não é só 'banquinho e violão' - Pop Brasil

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terça-feira, 23 de agosto de 2016

COLUNA: A música brasileira não é só 'banquinho e violão'


Foto: Reprodução



"´É preciso se despir de pré-conceitos e se vestir de respeito", é com essa citação que faço questão de enfatizar na coluna desta semana, o quanto nós brasileiros maximizamos aquilo que enxergamos como negativo e minimizamos alguns aspectos positivos por conceitos movidos pelo desrespeito .

O cenário musical nacional ele é tão diverso e de um contraste incrível, que no lugar do aplauso, existe um nicho que prefere tachar como 'certo e errado' , 'cultura e lixo', por enxergar apenas o que lhe convém. Realizamos recentemente um espetáculo para o mundo, em que a diversidade da música brasileira foi propagada de uma forma brilhante. E o que se viu na rede? Enquanto o mundo ovacionava o espetáculo e os artistas, os 'intelectos e apadrinhados por Beethoven' , encheram a rede de comentários do tipo: 'Que Lixo!'. 

O Brasileiro precisa parar de julgar como 'imagem cultural' aquilo que soa próximo ao samba e bossa nova, carnaval e afins. O nosso país não se resume ao som do pandeiro e cavaquinho e nem aos clássicos de Chico Buarque e companhia. São elementos genuínos de nossa musicalidade? Sim. Mas, não são os únicos. Anitta, Ludmilla, e tantos outros também são expressões genuínas da nossa música, cultura, gostando ou não. Sabe aquela comunidade que seu amigo mora, aquela 'FAVELA' próximo a sua residência!? Aquela comunidade que você evita cruzar ou frequentar por ter enraizada em sua mente, de que tudo que acontece de ruim surge dali... Lá o que predomina é o funk, o rap, o hip hop - gêneros que consomem e retratam a realidade de uma parcela da sociedade. Os anos passaram , a renovação e evolução aconteceram. Foi-se o tempo em que a nossa história musical era retratada apenas com um banquinho, violão e cavaquinho. É preciso respeitar e jamais esquecer o que está marcado em nossa história? Sim. É preciso respeitar e entender de que a vida se renova e seus elementos evoluem constantemente? Sim.

Não é preciso aceitar que 'isso' é música, é preciso respeitar cada espaço e entender que ela é universal e sofre influências em todo o mundo, não somos e nem nunca seremos a exceção.  Temos Karol Conka e MC Carol servindo como exemplo para  milhares de meninas e mulheres negras , representando o sonho de muitas delas. Numa outra via , temos Ludmilla, Anitta, Lexa e tantas outras meninas que vêm rompendo o preconceito daqueles que a enxergam apenas como uma 'bunda'. Com o encerramento das Olimpíadas, o mundo viu um Brasil além do carnaval, da bossa nova, viu um Brasil cujo sua música atualmente tem muito empoderamento feminino e  exemplos oriundos da comunidade nas paradas de sucesso.  

No mais, todas essas artistas representam uma parcela da sociedade  e de nossa musicalidade  tanto quanto o pop contemporâneo  de Tiago Iorc, Sandy. Desenham nossa musicalidade tanto quanto a MPB de Marisa Monte, o axé de Daniela Mercury, a poesia de Chico Buarque e tantos outros. Todo esse contraste se chama Brasil. Diferentes manifestações de um país tão grande,  rico e diverso em sua musicalidade.

Não gostar é um direito de todos, mas querer padronizar a música brasileira com ideologias retrógradas, é não evoluir mentalmente.

POP Brasil
David Dukki