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terça-feira, 14 de junho de 2016

COLUNA: Seria o sertanejo a nova 'Bossa Nova' ? Por que muitos ainda recusam e depreciam o gênero?

Foto: Reprodução



O Brasil tem uma relação muito forte com a música, a nossa população é uma das que mais procura, divulga e valoriza a produção musical, independente do seu gênero. Com tamanha diversidade musical, o sertanejo se destaca - arrisco a dizer que é a nova 'Bossa Nova'.

Refiro-me a esse termo, pois assim como a  bossa nova se firmou como o retrato da música brasileira no final dos anos 50, o sertanejo atualmente é o segmento musical mais popular e de maior repercussão no exterior nos últimos anos. Por mais que a sonoridade seja distinta, a forma com que ambos os gêneros popularizaram a música brasileira no exterior é semelhante.

Se no passado tivemos a canção Garota de Ipanema como a melhor paisagem do movimento no exterior, ao ser cantada por Frank Sinatra. Nos últimos anos, ganhamos novamente o mundo com 'Ai Se Eu Te Pego' de Michel Teló. 

Novas Vozes e Mercado 
A safra de talentos e hits do sertanejo tem aumentado de uma forma em que os investimentos em um artista novo no segmento , tem sido digno de um artista de grande reconhecimento nacional. Destaco algumas revelações: Maiara e Maraísa, Paula Mattos e Marília Mendonça que atualmente é a dona da canção mais executada nas rádios de todo o país, de acordo com dados da ConnectMix (referentes ao mês de junho). Não podemos esquecer,  a cantora Paula Fernandes que nos últimos anos aqueceu esse mercado de forma brilhante.

Mas, o que faz uma parcela do público recusar o sertanejo?

Há uma disparidade enorme entre canções dos gêneros: Samba, Sertanejo, Funk, o que dá espaço para muitos avaliarem e julgarem o que é MPB e o que não faz parte da MPB. Porém, existe uma parcela que ignora o aspecto cultural e histórico da musicalidade de nosso país. O reconhecimento de um produto a partir de uma canção menos relevante no aspecto cultural para alguns  'patriotas' não elimina a qualidade e importância da outra. É justamente esse jogo de 'gosto' que entra o  'preconceito', com a letra e o gênero musical.

É natural de o brasileiro menosprezar os seus e isso não é exclusivo do sertanejo e suas vertentes. Assim como existia péssimos interpretes e péssimas composições na bossa nova e suas vertentes (Samba, Jazz) , o mesmo acontece no sertanejo  e  suas vertentes (sertanejo universitário). Consumidores de música, precisam parar de achar que movimento X ou Y não faz parte da cultura  brasileira, por questões pessoais. Quando colocamos o gosto pessoal em primeiro plano e recusamos a história do movimento, perdemos o bom senso em analisar o que de fato tem qualidade, ou, não.

A NOVA MÚSICA BRASILEIRA
A modernização de todo e qualquer segmento que abriu mão da responsabilidade cultural e se apossou do entretenimento. Gostando, ou não, o sertanejo que vem sendo executado nas rádios de todo o país nos últimos anos e que vem sendo exportado, tem como enredo apenas o entretenimento,  a diversão e o tão recorrente amor.

Neste caso, não há demérito algum em quem produz este tipo de som, o lado  bom da diversidade musical , são as opções de escolha. Entre inúmeras opções, o sertanejo é o gênero acolhido pela maioria dos brasileiros. Mesmo que você não goste e nem tampouco se identifique, respeitar é fundamental em um país tão marcado pela desigualdade social. Quer queira quer não, a desigualdade social, a questão cultural e social se fundem em alguns casos com a origem de determinados segmentos musicais, e o sertanejo tem essa característica marcante e tão brasileira na sonoridade. Talvez, isso justifique a ascensão e a reprodução do gênero em todo o país, mesmo com uma parcela que insiste em boicotar e tratar como 'lixo' se baseando em artista x ou y, canção A ou B.

POP Brasil
David Dukki