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segunda-feira, 21 de março de 2016

COLUNA: A 'Síndrome de Views', tipo de transtorno que atinge aqueles que usam as visualizações como parâmetro de qualidade

Foto: Reprodução / Internet


Atualmente o mercado fonográfico, principalmente o nacional com o crescente número de artistas dos gêneros funk e pop, têm trazido a ideia na mente de alguns fascinados por esses gêneros, de que música boa tem como parâmetro a quantidade de execuções nas rádios, ou, de visualizações no YouTube. Mas, não é bem assim, está na hora de esquecermos um pouco de lado ou nos desapegarmos da ‘Síndrome dos views’ e apreciarmos a música em si. O que seria de Maria Bethânia, Alcione, Marisa Monte, caso visualizações medissem talento?. Independentemente do gênero musical, a qualidade não é uma questão exclusiva de X ou Y. Assim, como há produtos para todos os tipos de consumidores. O que não deve servir como parâmetro e infelizmente é o que tem sido vendido principalmente pela mídia no geral, é a quantidade de visualizações como espelho para reafirmar o que tem e não tem qualidade. E o pior, jovens compram tal ideia e uma parcela massacram, humilham, desrespeitam nas redes sociais (onde a desordem é gritante) , aqueles que não vieram ou não surgiram na era dos 'views'. É vergonhoso ler de um jovem - tido como o futuro do país, xingar na web como 'velho gagá', 'velha aposentada', artistas do naipe de Alcione, Gal Costa, Caetano Veloso. Por, não se enquadrarem nesse padrão criado por essa juventude e alimentado pela mídia, de que artista é aquele que bate recorde de visualizações. 


Portanto, é uma boa oportunidade de você começar a dizer: "fodam-se os hits, fodam-se as visualizações, eu apenas amo música!". Existem artistas que produzem, compõem justamente pensando em agradar apenas a indústria e mídia, o que leva muitos deles "a perda de identidade e repetições exaustivas de canções clichês". Não é demérito nenhum desses artistas que pensam apenas no show business, na indústria, mas, é insensato os ouvintes usarem isso como parâmetro para medir a qualidade de um artista e sua importância na música brasileira. Temos culpa? Sim. Se há fornecedor de forma demasiada, há consumidores que brigam exaustivamente nas redes sociais por este produto. Um produto que terá aquela canção como hit,  a típica canção feita apenas para tocar no rádio, entreter, gerar lucros e nada mais. O mercado pede, e artistas sem personalidade se submetem aos desejos de suas gravadoras, que exigem canções mais comerciais.


E quando o artista não emplaca a canção no rádio, ele é tachado como “Flopado”, porém, estes que rotulam tais artistas dessa forma, fingem esquecer o seu passado glorioso. Existem inúmeros artistas que não tocam  diariamente no rádio, mas, suas obras contribuem bem mais pra música nacional do que aqueles que tocam exaustivamente. ''Não pegou uma posição no top 100 da parada, não atingiu nem se quer um milhão de visualizações'', prato cheio pra o rapaz que ainda tá na fase da puberdade, pra moça que mal lava a louça agirem com desrespeito. Seu ídolo quebrou recordes no YouTube? Ótimo. Todo fã quer ver seu artista nas paradas, mas,  isso não credencia a ele, o direito de boicotar e humilhar artista A ou B. Portanto,  aprecie a música, esqueça as palavras “hit” e "Views", elas só reduzem a sua capacidade musical em distinguir “O bom e o ruim”. E não me venham com papo, de que gosto não se discute, quando o gosto tem como base: “fanatismos exagerados e a falta de respeito”, esse ‘gosto’ precisa ser revisto.

Até a próxima!

POP Brasil
David Dukki